Para digitar mais rápido você não precisa bater mais forte nas teclas nem trocar de teclado: precisa tirar do caminho o que te atrasa. Olhar para o teclado, voltar para corrigir, hesitar entre as palavras e usar o dedo errado custam tempo, e quando isso some a velocidade aparece quase sozinha. Estes são os oito hábitos que ensinaríamos a um amigo, na ordem em que trabalharíamos cada um.
1. Qual é a sua velocidade de verdade?
Antes de mudar qualquer coisa, meça seu ponto de partida. Faça três testes de um minuto com texto comum e anote as PPM líquidas e a precisão de cada um. Fique com o resultado do meio, não com o melhor: uma rodada de sorte diz muito pouco. Um minuto é a duração mais útil para acompanhar a evolução, porque testes de 15 segundos variam demais com um único tropeço.
Uma vez por semana, acrescente um teste de 5 minutos. A diferença entre o resultado de um minuto e o de cinco mostra quanta velocidade você perde quando cansa ou se distrai. Anote os números num lugar à vista: a evolução na digitação é tão lenta que a gente esquece de onde partiu, e ver 38 PPM virarem 52 em um mês é o que faz a maioria continuar.
2. Velocidade ou precisão? Primeiro a precisão
Dos oito hábitos, este é o que faz mais diferença. Cada erro custa pelo menos três teclas: a errada, o Backspace e a certa. Muitas vezes mais, porque você percebe o erro três letras depois e precisa apagar tudo para trás. E, quando nota o erro, perde o ritmo e leva uma ou duas palavras para se acertar de novo. Quem digita 70 PPM com 90% de precisão geralmente chega a 80 só parando de errar.
A regra que usamos é simples: se sua precisão está abaixo de 96%, diminua a velocidade até passar disso. Suas PPM vão cair por alguns dias, e tudo bem. Digitar limpo e devagar vira digitar limpo e rápido; digitar rápido e errando tende a continuar assim.
Um teste rápido dos seus hábitos
Faça um teste sem encostar no Backspace. Siga digitando mesmo errando. Se sua precisão cair muito em relação ao normal, você vinha usando o Backspace para esconder erros em vez de evitá-los.
3. Precisa aprender a digitar sem olhar?
Precisa, se você ainda olha para o teclado ou digita com dois ou três dedos: é aí que está o seu teto. Tem gente que aprendeu sozinha e chega longe com um sistema próprio, mas a maioria trava entre 40 e 60 PPM porque os olhos ficam pulando entre a tela e as teclas, e os dedos andam demais. A digitação sem olhar, ou digitação às cegas, se apoia em três coisas:
- A linha guia. Os dedos da mão esquerda ficam sobre A S D F e os da direita sobre J K L Ç (num teclado em inglês, a última é ;). Os relevos no F e no J mostram onde você está sem precisar olhar.
- Um dedo para cada tecla. Cada tecla tem o seu dedo, e é sempre ele que aperta.
- Os olhos na tela. Não nas mãos, ou o mínimo possível.
A troca dói: por uma ou duas semanas você vai digitar na metade da velocidade. Aguente firme, porque quase todo mundo passa da marca antiga em três a seis semanas e continua subindo depois. As lições do Presspace levam você da linha guia até frases completas em doze etapas.
4. Por que ler à frente do que você digita?
Porque a pausa entre uma palavra e outra é onde mais se perde tempo. Repare nos olhos de quem digita rápido: eles não estão na letra que está sendo digitada, e sim uma ou duas palavras à frente. Quem digita devagar costuma ler uma palavra, digitar, parar e só então ler a próxima. Essa paradinha, repetida em cada palavra, come boa parte da sua velocidade sem você perceber.
- Mantenha os olhos uma palavra à frente. Enquanto os dedos digitam “que”, os olhos já devem estar na próxima palavra. No começo parece estranho; treine com texto fácil.
- Pense em blocos, não em letras. Palavras como que, de, não, para, com e uma devem sair num gesto só. Vale o mesmo para as terminações que aparecem o tempo todo em português: -ção, -mente, -ando, -endo.
- Não pare na barra de espaço. O espaço faz parte da palavra. Digite “de ” como uma unidade, com o espaço, e emende na próxima.
5. Quanto e como praticar?
Pouco, com frequência e com intenção. Digitar muito no trabalho não deixa você muito mais rápido por si só, porque você repete os hábitos de sempre, erros incluídos. Para melhorar, você precisa de momentos em que presta atenção e se puxa um pouco além do confortável. Quinze a vinte minutos por dia rendem mais do que duas horas no domingo: as mãos fixam os movimentos entre uma sessão e outra.
Treine suas teclas fracas
Todo mundo tem teclas lentas e pares de letras desconfortáveis: os mindinhos, a fileira de baixo ou combinações com o mesmo dedo, como “ed”, “un”, “ce” e “mu”. No Presspace, o mapa de calor do painel de estatísticas (Stats) mostra quais teclas você erra e quais aperta devagar. No fim de um teste, clique numa tecla errada e você ganha um Weak-Key Drill, um exercício feito com essas letras.
Varie o material
Palavras comuns são boas para a velocidade pura, mas um texto de verdade tem maiúsculas, pontuação e palavras longas. Alterne palavras comuns, citações com pontuação e, de vez em quando, números. Em português, a dificuldade Advanced é ótima para treinar acentos, com palavras como administração e correspondência.
6. Como ganhar ritmo na digitação?
Digitando numa velocidade constante em vez de aos trancos. Muita gente dispara nas palavras fáceis, tropeça numa difícil, para e acelera de novo. As arrancadas parecem rápidas, mas as paradas derrubam a média. Um ritmo regular, mesmo com o pico um pouco mais baixo, quase sempre dá mais PPM no final do teste.
- Segure um pouco nas palavras difíceis e solte um pouco nas fáceis. Se uma palavra como exatamente ou desenvolvimento faz você tropeçar, digite com calma em vez de correr e corrigir.
- Use um ritmo de referência. Nos jogos de digitação do Presspace, o Tempo marca uma batida de metrônomo e o Treadmill persegue você com uma linha de ritmo. Coloque cerca de 5 PPM acima da sua velocidade confortável e tente segurar.
A tela de resultados traz uma nota de constância que mede quanto sua velocidade varia durante o teste. Se ela estiver baixa, deixar o ritmo mais regular provavelmente é o ganho mais rápido que você tem.
7. Postura e teclado fazem diferença?
Fazem menos do que parece, mas uma postura ruim atrasa em silêncio e deixa as sessões longas desconfortáveis. Não apoie os pulsos enquanto digita: com eles na mesa, os dedos se esticam em vez de a mão se mover, e isso atrasa você nas fileiras de cima e de baixo. Cotovelos mais ou menos em ângulo reto, ombros relaxados e a tela na altura dos olhos.
- Pratique no teclado que você mais usa. Alternar entre um notebook e um teclado de mesa bem diferente não tem problema, mas os primeiros minutos no menos familiar sempre serão mais lentos.
- Toque leve. Não precisa afundar cada tecla até o fim. Apertar só o necessário é mais rápido e mais gentil com as suas mãos.
Se algo doer quando você digita, pare e procure um médico ou fisioterapeuta. Dor não é algo para aguentar.
8. Como sair da estagnação?
Mudando alguma coisa, porque estagnar geralmente quer dizer que o treino ficou confortável. O normal é evoluir rápido por algumas semanas e depois passar um mês com a mesma marca, repetindo o que você já faz bem. Estas quatro táticas funcionam quase sempre; teste uma por uma semana antes de partir para a próxima.
- Tiros acima da sua velocidade. Faça testes de 15 segundos indo mais rápido do que você consegue digitar limpo. Aceite os erros: você está mostrando às suas mãos como é a próxima velocidade. Depois volte para um teste de um minuto no ritmo normal.
- Devagar, de propósito. O contrário também funciona: uma sessão a 70% da sua melhor velocidade, com precisão quase perfeita e atenção a cada dedo. Isso costuma revelar um vício que você nem notava mais.
- Troque o material. Se você sempre digita as mesmas palavras comuns, passe para a dificuldade Advanced, para citações ou para textos com pontuação.
- Descanse alguns dias. Parece contraditório, mas muita gente volta de uma pausa curta um pouco mais rápida. O descanso também faz parte do aprendizado.
Os jogos ajudam aqui porque fazem você digitar sob outro tipo de pressão: Key Reflex afia a reação a cada tecla, e Nitro obriga você a acompanhar o ritmo dos rivais.
Como digitar ç e acentos sem perder velocidade?
Aprenda as teclas de acento como qualquer outra: com o dedo certo e sem olhar. No ABNT2, o Ç fica à direita do L, na posição do mindinho direito, a tecla de agudo e crase fica à direita do P e a de til e circunflexo fica à direita do Ç. Primeiro o acento, depois a vogal, num gesto só. Num teclado em inglês, o layout Estados Unidos-Internacional do Windows dá ' + vogal e ~ + a.
- Não pare por causa de um acento esquecido. Termine a palavra e siga em frente. Voltar custa mais do que o erro.
- Treine as palavras acentuadas mais comuns até saírem no automático: não, também, já, até, você, está, começar.
- Se está começando, ative o Lazy mode nas configurações (Settings): uma vogal sem acento vale como acentuada e o c vale como ç. Quando as palavras estiverem fluindo, desative e acrescente os acentos.
Na página do teste de digitação você encontra uma tabela com todas as combinações para ABNT2, Estados Unidos-Internacional e Mac, incluindo ã, õ, â, ê, ô e à.
Uma sessão de 20 minutos para começar hoje
Se quiser começar agora mesmo, experimente esta sessão. Ela passa por todos os hábitos acima e não precisa de plano nem de planilha.
| Tempo | O que fazer | Para quê |
|---|---|---|
| Minutos 0 a 3 | Dois testes fáceis de 30 segundos, sem pressa | Aquecer as mãos e achar o ritmo |
| Minutos 3 a 9 | Exercícios das suas teclas fracas | Atacar as letras que mais custam |
| Minutos 9 a 13 | Três testes de 1 minuto, com os olhos uma palavra à frente e 96% de precisão ou mais | Ler à frente e digitar limpo |
| Minutos 13 a 16 | Quatro tiros de 15 segundos acima da sua velocidade | Esticar sua velocidade máxima |
| Minutos 16 a 20 | Um teste com pontuação e, para fechar, mais um de 1 minuto | Texto de verdade e um número para anotar |
Anote todo dia o resultado do último teste de um minuto e a precisão. Olhe para a mediana da semana, não para o número de cada dia, porque os resultados diários sobem e descem bastante. Se a mediana sobe, siga em frente. Se está parada há duas semanas, escolha uma das táticas contra a estagnação e mude alguma coisa.
Perguntas frequentes
Quanto tempo leva para digitar mais rápido?
Com 15 a 20 minutos de prática por dia, a maioria das pessoas nota uma melhora clara em duas a quatro semanas. Se você está trocando a digitação olhando para o teclado pela digitação sem olhar, conte com uma ou duas semanas mais lento antes de passar da sua velocidade antiga.
É melhor treinar velocidade ou precisão?
Precisão, sempre primeiro. Busque 96% ou mais em todo teste e só force a velocidade quando conseguir manter isso. Cada erro custa a tecla errada, o Backspace e a tecla certa, então atrasa você muito mais do que parece.
Um teclado melhor faz digitar mais rápido?
Um teclado de que você goste deixa a prática mais agradável, mas raramente acrescenta mais do que algumas palavras por minuto. Técnica, precisão e constância pesam muito mais do que switches ou keycaps.
Por que não consigo sair da mesma velocidade?
A estagnação costuma vir de praticar sempre numa velocidade confortável e com os mesmos hábitos. Mude alguma coisa: diminua o ritmo para limpar os erros, treine suas teclas fracas ou faça tiros curtos acima da sua velocidade normal.
Digitar em português é mais lento do que em inglês?
Um pouco, muitas vezes. As palavras em português são um pouco mais longas, e o ç e os acentos somam teclas. Como as PPM contam cinco caracteres por palavra em qualquer idioma, os números são comparáveis, mas não estranhe uma pequena diferença.
Coloque em prática
O teste começa na sua primeira tecla. Grátis e sem cadastro.